Mediante estas belas mentiras...

digo sempre o que tenho de verdade.

18.3.08

Ausência dentre

Não saber
como
te dizer
como
um deserto
seco
nada perto
- seco.

Não (me) sentir
vivo
só, existir
vivo
ser (no) chão
solo
ser tão
- solo.

Não estar
todo
contiguar
todo
um vazio
mudo
longo rio
- mudo.

Intervalo

Haverá preenchimento.
Mais cedo, mais tarde,
quando for o momento.

16.1.08

No Title*

Quando ouvi este teu canto
Meu corpo inteiro
De leve, de pronto,
Se achou meio tonto,
De quase cair

Em tristes acordes,
Falavas de amores,
Tão frios, tão distantes,
Assim dissonantes,
Prestes a ruir

Temi por nós dois
Haveria um depois?
Teu som delicado
Meu peito gelado
Tentou aquecer

Mas de tanto querer-te
Ao meu lado
Desentendi teu recado
Num verso cantado
Dizendo que sim

Meus olhos fechados
Se abriram num pranto
Sem calma, sem fim

Meus lábios molhados
Tremeram, mas tanto
Da voz não sair

Soluços tentaram
Chamar-te, trazer-te
Pra perto de mim

_______________________

* Vocês viram, não tem título.
Eu sempre achei difícil fazer isso, e a dificuldade que senti aqui foi maior neste aspecto.
Aceito sugestões.

Faz tempo que não posto.
Ei-lo, só pra não deixar o mato crescer no terreno baldio.

Algumas coisas ainda estão estranhas pra mim neste escrito.
Ele me parece inacabado. Mas por enquanto, é isso.

13.10.07

Teus olhos, morena

Morena, se eu fosse dizer
o quanto eu te amo.

Morena, o que sei
é o que o mundo inteiro não sabe
do amor

Que eu tão mal conheço,
tão bem reconheço
que toma-me o peito
e me larga no chão

Morena, os teus olhos escuros
são mistério
são antes da lágrima, aflição

Morena, estes olhos escuros
foi primeiro por eles que
me apaixonei

Os teus olhos, morena,
estes olhos que naquela tarde
eu tanto procurei

Estes teus olhos, morena,
contam mais da tua alma
que a tua doce voz

Ah, eu nunca saberei
como podes ser tão livre
como podes ser tão forte

Morena, tua dor
é o encanto que escurece
estes teus olhos

Que eu tão mal conheço,
tão bem reconheço
que tomam-me a voz
e eu não sei dizer não

Este teus olhos, morena,
como eu os quero tão perto
me dizendo o que ainda não sei

Tão perto, morena, e mais perto...
Mas nunca perto o bastante estarei

Morena, se eu fosse dizer
o quanto eu te amo.

13.8.07

Então Conta-Me o Teu Sofrer

A solidão das horas, a solidez das formas
Dias tão nublados, chuvas sempre ácidas
De folhas e folhas que caem sempre secas
De pétalas e pétalas já desvanecidas

Esses assassinatos, essas amputações
Esse diário banquete de cadáveres
Esse estrondo de absurdos
Esse silêncio de tudo o que nos resta

Essas vozes que não cantam mais a vida
Essa enxurrada de mentiras canônicas
Essa aventura tão cara de frustrar-se
Essa velocidade de perder todas as cores

Esses amores rudes, tão frios e tão frívolos
Esse medo tolo de estender as mãos
Esse modo triste de abrir os braços
E receber o mundo que se acaba num abraço

21.5.07

Aquilo Que É Recôndito

Quando faço um verso
Converso
Se tenho um desejo
Versejo
Quero o que é o inverso
Não vejo
Problema nenhum em querer
Você

O que é segredo
Não conto
Quando sinto medo
Disfarço
Passeio sozinho
Transpasso
Vou longe ao pensar e pensar
Em você

Tristeza vem quando
Não quero
Mas desfaço sem
Desespero
Um sorriso quase
Sincero
Que tantas vezes já sorri
Pra você

O silêncio é bom
Companheiro
E eu que sempre fui
Solitário
Guardo dentro de um
Relicário
O amor que sonhei viver
Com você

20.4.07

Caminho Fácil



















Não quero ouvir mais as palavras tuas
Me cansam, me doem
Esqueces o que é leveza, pesas sobre mim

Não quero ver mais as caras tuas
Me cobram, me aviltam
Fazes de mim o que eu não quero ser

Mas caminharei
Tão leve como nunca foste
Leve como nunca pudeste

Caminharei
Quase como se não existíssemos
Tu, que nunca ficaste
Eu, que nunca partira