Quando este blogue ainda tinha leitores, repetia-se sempre a mesma (ingênua) pergunta: "é você mesmo quem escreve?" Sim, sempre eu. Dificilmente incluo aqui coisas dos outros. Talvez a única exceção tenha sido um trecho de "Limite Branco", romance do Caio Fernando Abreu. A razão para ter publicado este texto neste blogue é a mesma que me traz aqui desta vez, de novo rompendo com a ideia de apresentar apenas coisas próprias: mexeu comigo; e quero compartilhar com vocês.
Trata-se de uma passagem, um capítulo, na verdade, de um conto de Marçal Aquino intitulado "Sete epitáfios para uma dama branca". Chama-se "Epitáfio V". Uma obra-prima. Apresento um pedacinho para adoçar-lhes a boca. E depois segue o link para o arquivo em pdf. É curtinho. Curtam. Leiam. Sintam.
"Terá ela fingido alguma vez que a coisa estava muito boa quando estava apenas morna? Compreendeu o significado da palavra “sacrifício” a tempo? Será que ela se orgulhou de algo de que deveria se envergonhar? Será que se lembrava da primeira vez que viu o mar? Do primeiro beijo? Será que ela se sentiu digna em alguma oportunidade? E suja?"
AQUINO, Marçal. “Sete epitáfios para uma dama branca”. In: O amor e outros objetos pontiagudos. São Paulo: Geração Editorial, 1999. pp.30-32.
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4.4.10
19.10.09
Jenecequá (e, o que é, é saudade)
"...Já tenteou sofrido o ar que é saudade?"
Saudade não é só desamparo
- ruminar o perdido.
Saudade? Não só nostalgia
- querer o vivido.
Saudade é incompletude
- salivar o vazio.
Saudade: a sede do tempo
- beber o seguido.
Saudade, a fome de amor
- esfaimar o sentido.
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